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Artista argentino expõe cotidiano, em João Pessoa

set 17, 2018 Redação

João Pessoa recebe entre os dias 21 de setembro e 12 de outubro, a exposição do artista plástico argentino Mëx. A exibição acontece na Galeria Karthaz, no bairro de Manaíra. O Evento é uma promoção da Galeria das Quinze Portas, braço cultural do Centro Estadual de Arte (Cearte), em parceria com a Karthaz.

Serão 12 telas com cenas do cotidiano. Na mostra, uma espécie de “de saturação” da realidade, um olhar do detalhe buscando uma visão estética e também provocadora. Segundo a visão do autor, as obras fazem parte de um movimento da arte urbana que se insere entre o grafite e o muralismo.

Mëx afirma que sempre gostou do Grafite, mas acredita que passeia entre as duas linguagens. O Grafite é a pintura com spray, que pode utilizar palavras ou não, o Mural pode usar pincel e rolo. O movimento muralista hoje tem construído obras gigantescas nas cidades do mundo.

“As coisas não são tão puras, o que é pintura, o que desenho, o que é instalação, cultura. Em arte já não há limites quase. O importante não é buscar os seus limites, mas a graça que há nessa mistura das coisas. Fazer grafite, mural, a mistura das coisas. Se me perguntam o que faço digo que faço grafite mural. O muralista quer que dure… O grafiteiro segue pintando, a obra passa a ser da rua, pode ser tapada, pode cair em pedaços. O grafiteiro não pensa nessa obra. Essa obra, letra, imagem, dura o tempo que dura na rua, está obra é da rua”, diz ele. 

Sobre Mëx

Natural do estado de Misiones na Argentina, Sebastian Zapata Hästsh, o Mëx,  ingressou em 2006 no curso de Licenciatura em Pintura da Faculdade de Artes da Universidade Nacional de Córdoba, segunda cidade mais populosa da Argentina. O artista vem participando de festivais em cidades da Argentina e pela América Latina e desenvolve, atualmente, trabalhos artísticos para importantes marcas, realizando exposições individuais e coletivas que lhe rendem prêmios e reconhecimentos em salões e concursos de artes. Atualmente, Mëx vive e trabalha na cidade de Córdoba.

Ele conta que antes de começar a pintar, quando andava pelas ruas de Córdoba, ficava intrigado com a arte que via nos muros e isso o fez desejar descobrir mais sobre esse trabalho. Ainda na Faculdade começou a pintar em telas onde simulava grafite. Mas ele sentia que colocar a arte urbana em telas era uma forma de domesticação da estética e resolveu sair para a rua e pintar paredes. Isso o fez trazer um grande mergulho da arte urbana a partir dos EUA, Europa e América.

Arte urbana

Mëx explica que o grafite hoje é mais do que pintar letras.  

“Isso foi um momento sociocultural que se deu nos EUA, na Europa e na América Latina. Na Europa, há artista que vêm do grafite e pintam com spray em tela, pintam rostos hiper-realistas, quase fotográficos. Não é mais a técnica ou material que define o que é grafite ou o que é mural”, defende, acentuando um processo de transformação na arte urbana atual, onde se usa grafite, rolo e pincel e se pinta na rua e em telas.

Sobre o que o motiva pintar, Mëx revela:

“Eu creio que cada obra, cada ação é politica. Sair e pintar na rua é uma ação política além de estética. Creio que minha obra pode atingir quem não entende de arte e dizer, ao vê-la, que bom, que lindo, ver alguma profundidade. Me interessa que na rua a obra provoque algo nas pessoas. Poder sair do pensamento tradicional de um mundo capitalista, sair do pensamento que temos que ter mais coisas. Sair dessa visão por um segundo, que seja, não importa se entende. Olhar e dizer gosto ou não gosto. Essa é minha intenção na hora de pintar”, pontua.

Influências

Entre as suas influências estão grafiteiros e muralistas europeus, como Aryz, a dupla Etam Cru e Sebastian Velasco. Aryz é um artista de rua e ilustrador de Barcelona que tem seu trabalho em paredes abandonadas na periferia da cidade catalã, em Nova York, Alemanha, Polônia, Itália… Os artistas Sainer e Bezt, formam o Etam Cru, um dupla de pintores poloneses que têm ganhando destaque internacional nos últimos anos com obras espalhadas pelas cidades do leste europeu. E Sebastian Velasco trabalha com primor rostos hiper-realistas, dando um tom moderno e ao mesmo tempo impressionista as suas pinturas. Todos são jovens na casa dos 30 anos, com obras com forte senso de humor caricatural, mas não só, todas refletem temas da vida atual, a realidade ou a fuga dela e parecem tocar num universo mais existencialista.

Sobre projetos

Neste ano, além do intercâmbio em João Pessoa, Mëx já tem programado viagem ao Peru, onde irá participar do festival de arte urbana, em Lima (Peru), o Meeting Of Styles. O festival acontecerá de 26 a 28 de outubro.

“Vou pintar durante 4 dias. Depois tenho uma mostra no sul da Argentina e em fevereiro vou fazer uma mostra em Bogotá. Minha ideia é viajar o mais que possa pintando, conhecendo outros países e outras culturas”, revela.

Sobre o sobrenome Zapata, o artista garante que não tem nenhuma relação com o movimento que aconteceu no México. Emiliano Zapata Salazar foi um importante líder na chamada Revolução Mexicana de 1910 contra a ditadura de Porfirio Díaz, sendo considerado um dos heróis nacionais mexicanos. “Não tem relação (risos). Nunca meus pais me disseram. Mas nunca se sabe… Ironicamente meu nome artístico Mëx, vem de México. Os amigos colocaram esse apelido sem saber meu sobrenome. Quando comecei a ir a rua já tinha esse pseudônimo. Alguns acabaram acreditando que era por meu sobrenome. Mas não, foi dessas voltas loucas da vida”, finaliza.

O quê?

Exposição “De Saturación Cotidiana”

Onde?

Galeria Karthaz – Avenida Umbuzeiro, 1111, Manaíra, João Pessoa

Quando?

Abertura no dia 21 de setembro e visitação de 24 de setembro a 12 de outubro

Mais informações? 

3214-2923