Brasil

Deputado quer caça esportiva no Brasil

jan 30, 2017 Leandro Santos

Diante das centenas de prioridades enxergadas apenas por quem mais precisa, ou seja, pela população, vem à tona mais um assunto que chama atenção pelo seu retrocesso e falta de comprometimento com que mais importa no atual momento do país. Dentre muitos outros, saúde, educação, segurança. O deputado ruralista Valdir Colatto (PMDB-SC) quer liberar a caça profissional e esportiva de animais silvestres.

Há exatos 53 anos, esse tipo de ação é proibida em todo o território nacional, salvo em caso de autorização expressa do Governo Federal, por meios de rigorosos critérios estabelecidos por órgãos ambientais.

Esse projeto para liberar a caça começou a tramitar pelo Congresso Nacional no fim do ano passado, mas ainda não foi analisado, nem discutido em nenhuma comissão pública.

O projeto também altera a Lei de Crimes Ambientais, para reduzir o agravamento da pena de detenção de seis meses a um ano e multa para quem matar ou capturar animais sem licença, se isso for feito durante o abate profissional. Hoje, essa punição é triplicada se ocorrer durante uma caçada. Propõe ainda a criação de reserva particular própria para caçadas e de criatórios de animais para serem mortos. E prevê também que animais que atacarem propriedades e rebanhos podem ser abatidos se houver um laudo técnico de algum órgão ambiental — o texto não especifica qual — autorizando a caça.

Na justificativa do projeto, o deputado alega que a proximidade com os animais silvestres no meio rural traz risco para as pessoas e também para as propriedades e rebanhos, o que torna a caçada uma prática regular que, futuramente, pode vir a ser até mesmo uma fonte de renda. “Nesses casos sem finalidade de entretenimento e de esporte, mas como prática de relação com o ambiente, a qual, com o passar do tempo, pode se organizar como uma atividade de cunho cultural, como uma prática social e mesmo como atividade geradora de ganho social e econômico para as populações do meio rural”, afirma o parlamentar.

A presidente da Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente (Amda), Maria Dalce se pronunciou com uma declaração de repúdio a esse projeto. “Autorizar que o ser humano se divirta com uma mira eletrônica matando por esporte um animal é um retrocesso tremendo, além de um risco enorme para a nossa fauna”, afirmou.

Nas redes sociais o assunto não para de tomar proporções. Até uma petição já foi organizada para barrar esse projeto. Ainda não se sabe a data em que ele deve ser discutido em Brasília.

Com Diário de Pernambuco